Rayanne Araujo enfrenta tempo, disposição e as ondas pelo mar

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Eu escutei muito que surfar era coisa pra homem, que aqui menina não surfava, que só homem tinha força pra passar arrebentação, que só homem consegue manobrar, mas no WSL a gente vê que tem muita mulher que surfa melhor que homem’’ A história de hoje é da Rayanne Araujo, estudante de Fisioterapia de 21 anos, há três anos ela iniciava o sonho de surfar.

Motivada pelo namorado, Rayanne Araujo começou a pegar ondas timidamente com treinos isolados intercalados por períodos de um mês, a aprendiz de fisioterapia enfrenta um curso de período integral, com pouco tempo pra distrações alternativas e lamenta por não poder treinar com mais frequência. A primeira experiência da surfista em campeonato foi por livre e espontânea pressão das próprias competidoras que a incentivaram a se inscrever e tentar o pódio, no 3° Canto do Vieira Surf a iniciante conquistou o segundo lugar e desde então vem evoluindo cada vez mais.

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Onde acontecem os treinos

Rayanne conta que se sentia insegura por não saber muitas manobras e não ser a mais experiente em pegar ondas na Pedra do Sal, morando em Parnaiba e o namorado em Luís Correia, os treinos da atleta acontecem entre as praias de Atalaia, Canto do Vieira e Coqueiro, acostumada e fera no estilo longboard, Rayanne tenta superar a tensão em pegar ondas na Pedra do Sal, já que a praia é inclusive mais acessível, porém as ondas muito quebradeiras e de pequena extensão ainda são um empecilho, a prática na pranchinha também é um desafio pra atleta, tanto que, no primeiro campeonato a participar, onde a maioria das competidoras usavam a pranchinha, nossa atleta conta que,  “Eu já tinha pego algumas ondas na pedra do sal mas não tinha muita experiência, com o incentivo das meninas e do meu namorado eu acabei indo e queria ir embora antes do resultado, porque achei que ia passar vergonha, mas acabei ganhando o 2°lugar”.

Outro pico massa que Rayanne frequenta e que traz um pouco mais de adrenalina é o Canto vieira, ela conta que depois do campeonato, se sentiu bem mais motivada e começou a enfrentar as ondas do local, que são mais “pancadas”. Apesar de amar o esporte e querer seguir profissionalmente, ela lamenta não poder se imaginar competindo ainda, “Pra participar de um campeonato, eu acho que a pessoa tem que se preparar e infelizmente eu não tenho tempo de 2 ou 3 vezes por semana ir surfar e praticar, infelizmente eu não tenho, mas minha melhor experiência foi participar desse campeonato”

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A pouca visibilidade também é um desafio 

A cena do surf no Piauí vem crescendo, descobrimos cada vez mais apaixonados pelo esporte e pelo mar, no entanto, Rayanne nos contou que quando começou quase ninguém sabia quem surfava ou quem eram os atletas, graças há algumas poucas mídias isso vem sendo superado, e a evolução dos atletas midiatizada, mas a pouca visibilidade ainda é um desconforto que trazem algumas consequências, “Tem uma galera que vai surfar no Ceara, infelizmente a galera tem que sair daqui pra conseguir mais visibilidade”, apesar de estar crescendo a divulgação, o resultado  ainda é pequeno, o incentivo no esporte é na opinião da atleta, a parte mais importante desse processo, incentivar a união dos surfistas e estimular as crianças que estão começando e que muitas vezes não tem ninguém para dar a devida orientação é um passo enorme para o surf conquistar o seu lugar e manter a energia positiva do esporte.  Outro desafio que vem sendo superado é a cena no surf feminino, a estudante diz que era muito difícil um campeonato incluir a categoria feminino e muito menos dar visibilidade nos sites e outras mídias, mas agora, uma ou duas vezes no ano elas vem tendo a oportunidade de poder competir.

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Além de dar orgulho nessa nova geração de surfistas, Rayanne pratica outros esportes, como slackline que a ajuda a melhorar o equilíbrio, caminhadas e o skate também fazem parte da rotina dela, outro hobbie é fotografar, isso tudo ela encaixa entre as aulas e as visitas a ambulatórios, com uma vida tão agitada e inspirações como Chloé Calmon e a Claudinha Gonçalves, não é difícil dizer que essa garota realmente tem muito amor pelo esporte, e por uma vida radical.

‘’O surf é renovação, às vezes quando estou muito tensa, a primeira coisa que penso pra tentar desestressar é surfar, nem sempre da pra fazer, isso, mas sempre que eu posso, eu dou um jeito de ir, tiro um tempinho nem que seja só pra entrar na água pegar duas ondas e sair, me da mais equilíbrio, quando saio de lá, estou renovada.’’ – Rayanne Araujo