Atletas buscam desenvolvimento do bodyboarding no Piauí

Com poucos praticantes, bodyboard ainda é novidade no Piauí

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Cezar Fernandes- Pedra do Sal - Foto Zexter

A história do bodyboarding no Brasil é recente, começando em 1978, com sua primeira competição acontecendo somente em 1988, quando também foi formada a Associação Brasileira de Bodyboarding.

O cenário bodyboarding no Piauí

No Piauí, a prática é ainda novidade e se confunde com a vinda do pernambucano Cezar Fernandes, bodyboarder profissional, para a cidade de Parnaíba. Junto com sua transferência para o litoral piauiense, há quase quatro anos, o atleta trouxe o esporte para as praias do menor litoral do país.

“Quando eu cheguei aqui foi uma surpresa porque não tinha bodyboarding. Eu cheguei na Pedral e algumas pessoas não conheciam nem o esporte, não sabiam que se surfava nele. Imaginavam que era um esporte de criança. Eu peguei esse cenário. E, claro, alguns atletas de surf mais experiente já conheciam, mas em geral não. Eu vi como um desafio, mas já começou a aparecer alguns bodyboarder e alguns que vão povoando a Pedral”, declarou Cezar.

Cezar na praia da Pedra do Sal. Foto- Zexter
Cezar na praia da Pedra do Sal. Foto- Zexter

Com a chegada do atleta, outros nomes foram surgindo e aderindo ao esporte de maneira amadora, praticando na Praia da Pedra do Sal. Apesar do recém contato do Piauí com o esporte, na década de 90 alguns atletas já praticavam bodyboarding no estado, porém ainda de forma amadora, sem a presença de campeonatos e torneios, ou associações. Sem a demanda, o local mais perto para a compra e venda do material é em Fortaleza (CE), ponto forte no cenário brasileiro.

De fato, ele nunca começou no Piauí, mas nunca teve uma organização do esporte no estado. Eu tenho como projeto futuro fazer uma escolinha. O Maranhão tem associação e o Ceará tem as melhores referências no bodyboarding. Não temos nem bodyboard para vender, então tem que estabelecer e estruturar o mercado. Uma pessoa que quer começar tem que comprar em Fortaleza o bodyboard”, destacou Cezar.

Locais de melhor prática para o Bodyboarding

No litoral piauiense, os praticantes tem como espaço três principais praias em que as ondas são adequadas para o drop-knee (surf de joelho) e o prone (surf deitado). A Ilha dos Poldros, localizada próximo ao Delta do Rio Parnaíba; Canto do Viera, na cidade de Luís Correia; além da Praia Pedra do Sal, na cidade de Parnaíba. Este último é o ponto maior frequência no região do litoral do Piauí.

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Pedra do sal- Foto Zexter

Mais pessoas no esporte

Annderson Carneiro foi um dos que se apaixonou pela modalidade. Ele é de Parnaíba e um dos praticantes, que junto com Cezar, compõe o cenário do bodyboarding no Piauí. No entanto, de forma amadora, ele começou no esporte quando ainda morava em Fortaleza, através do incentivo de amigos que já praticavam. Após quatro anos, entre idas e vindas, ele retomou à prática, mas sem grandes pretensões, apenas por recreação.

Eu comecei com alguns amigos, quando eu morava em Fortaleza. Eles me convidavam para surfar. Eu levava eles pra praia me interessei e até hoje estou na modalidade. Eu utilizo como um hobby, pois como o incentivo para a modalidade é pouco e temos poucos praticantes. Não tem como se empenhar para um treino mais específico para campeonatos”, destacou Annderson.

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Cezar em viagem a outras praias – foto- Francisco Chagas

A visão é desenvolver projeto para melhoria do bodyboarding

Como um círculo vicioso, os principais problemas para o desenvolvimento da modalidade são a falta de conhecimento sobre o esporte, que acarreta na falta de cenário, associações ou entidade que regulam o esporte, além do pouco incentivo por parte de patrocinadores para os esportes de prancha. Um dos objetivos de Cezar Fernandes é a criação de uma escolinha de bodyboarding para as crianças nativas do litoral piauiense.

Eu já pensei em começar um trabalho com crianças, pelo menos no final de semana. Para a gente dar um start e começar a incentivar o bodyboarding aqui no Piauí. Desde que cheguei aqui eu fico pensando em montar, mas eu fico na dependência de ter mais praticante. Mas agora com o Annderson e com mais três pessoas, espero que a gente consiga dar uma engrenagem no esporte”, finalizou Cezar.