Raulzito Soares se apaixonou pelo surf e não desistiu mais

O atleta faz parte do time de jurados da Associação de Surf do Piauí (ASPI) e se dedica a fortalecer a cena surf no estado

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A PRIMEIRA ONDA E O AMOR PELO SURF

Morador da cidade de Luís Correia, Raulzito Soares, de 23 anos, é estudante de Ciências Contábeis e pós-graduação em Auditoria, controladoria e finanças, surfista e apaixonado pela cultura surf. O atleta teve de provar que realmente conhecia a essência do esporte sobre a prancha. Morando perto da praia, aos nove anos, Raulzito pegou na primeira prancha e seu pai o empurrou na primeira onda. “Eu me lembro dos detalhes até hoje, a voz dele se distanciando gritando ‘Vai, Vai! Vai!’, a prancha ganhando velocidade ao mesmo tempo em que subia aquele típico friozinho na barriga e uma felicidade que aumentava na mesma proporção em que eu me aproximava da areia”.

Como todo amor a primeira onda, ele já quis a próxima, e aos 10 anos conseguiu a sua primeira prancha. O prazer de surfar cresceu tão rápido quanto o talento do atleta. A vontade de ir ao mar era tanta que nem as aulas se tornavam empecilho para o surfista. E no caminho, ele ainda arrastava um amigo para ser seu companheiro de surf. “Éramos totalmente viciados. Passávamos cerca de 5 horas n’água, isso quase todos os dias. Nos fins de semana fazíamos hora extra”, brinca.

SUPERANDO DESAFIOS 

Com o surf sendo parte da rotina diária, Raulzito teve de enfrentar seu maior desafio aos 13 anos. Depois de uma bateria de exames, ele foi diagnosticado com uma bactéria no coração, que caso se agravasse poderia levar a doenças cardíacas no futuro. O resultado disso foi a necessidade de evitar atividades físicas de qualquer natureza, o que incluía o surf.

Além de ter que abrir mão da sua maior paixão, Raulzito ainda tinha que tomar duas injeções de Benzetacil todo mês. “Foi a pior fase de minha vida, não pela dor da injeção, mas sim pelo fato de estar impedido de surfar até os 19 anos”. Durante o tratamento, o surfista não deixou de visitar a praia sempre que a oportunidade de acompanhar um amigo surgia.

Apesar de não poder entrar na água, o atleta aproveitava para a relembrar um pouco da conexão com o surf e curtir a boa brisa do mar. “Embora minha alma clamasse por estar surfando, minha consciência dizia que era pra minha saúde. Então, dolorosamente, ouvia minha consciência”, desabafa.

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 A VOLTA AO MAR

Depois de dois anos longe das ondas, outro diagnóstico trouxe de volta a chance de Raulzito brilhar na água. A cura havia sido diagnosticada e a vida normal voltava à ativa. Sem perder tempo, ele saiu da clínica direto para o mar e correu as ondas com uma prancha emprestada. “Peguei uma prancha emprestada e senti como se o mar estivesse me abraçando, assim como um pai que abraço o filho ao voltar pra casa”.

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COMPETIÇÕES, TROFÉUS E INSPIRAÇÕES

Com tanta energia e determinação pra entrar no mar, Raulzito não podia deixar de ter grandes inspirações. Andy Irons (In memorian), Kelly Slater, Tom Currem e Calla Alexander são nomes importantes para o atleta. Ele também não deixa de prestigiar o surf feminino com Tita Tavares, Clhóe Calmon, Bethany Hamilton e Rayanne Araújo. Esta última, sendo uma das maiores incentivadoras, além de namorada.
A rotina voltou a todo vapor. As competições começaram a fazer parte do dia a dia do atleta e os troféus a enfeitarem o quarto.

  • Campeão no Circuito piauiense de surf 2010
  • Campeão no Circuito piauiense de surf 3º etapa
  • Campeão no Arrombado surf 5º edição
  • Campeão Open no II Canto do Vieira
  • Vice-campeão iniciante no  I Canto do Vieira
  • Vice Campeão Esporte e Cultura para todos 2016
Raul comemorando o 2º lugar no Campeonato Esporte e mCultura para todos, depois de 5 anos sem competir
Raul comemorando o 2º lugar no Campeonato Esporte e Cultura para todos, depois de 5 anos sem competir

Além disso, ele já participou de campeonatos profissionais como Pena Surf Nordeste, disputando bateria com o atual top do World Surf League (WSL), Ítalo Ferreira. Atualmente, Raulzito faz parte do time de jurados da Associação de Surf do Piauí (ASPI), mas divide o tempo entre a paixão e os estudos, visando conseguir mais oportunidades pra evoluir no esporte. “Foco mais nos estudos, pra ter estabilidade financeira e poder conhecer praias das quais sempre vi na revista e carrego até hoje como sonho a ser realizado”.

FALTA RECONHECIMENTO E PATROCÍNIO 

Com experiência nos melhores picos do litoral piauiense, que conta com atletas capacitados para qualquer desafio, ele critica a falta de investimentos no surfistas e de reconhecimento do potencial das praias. “Nosso estado tem um potencial de ondas o ano todo, nem o Hawaii é assim, aqui temos sempre um metrinho de onda constante“, explica.

Como amante da cultura surf, Raulzito lamenta o Piauí não viver essa cultura de forma mais intensa e conta que não conhece nenhum atleta local que tenha patrocínio, mesmo a maioria tendo talento pra carreira profissional. Apesar disso, ele diz que “sofreu uma mutação” e que o desejo de viver é para surfar. “Surf para mim é meu estilo de vida, minha essência”, encerra.

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