Dos anos 90, fotos inéditas de Surf no Curvão do litoral piauiense

Antes das tecnologias atuais, os surfistas ja tinham outros meios de verificar as boas condições do mar, e já registravam as sessões de surf

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Gustavo surfando no Curvão nos anos 90

Entre os 66km de prais do litoral piauiense, há locais onde é raro não se ver um surfista em busca de ondas, e hoje em especial vamos falar do Curvão.

Pra quem não conhece, o Curvão é o lado mais calmo da praia da Pedra do Sal, e fica logo depois das pedras, do lado esquerdo, depois do farol e é de la que Jonas Guimarães traz fotos dos anos 90 com detalhes de um dia cheio de ondas, em uma época que saber se o mar estava em boas condições era só expectativa.

Para um lado da praia onde é preciso estar sempre na expectativa de boas ondas e esperar a surpresa, esse foi um dia e tanto para os surfistas Jonas Guimarães, Deodato Silva, Gustavo e Raimundo Trajano (Didi). “O Curvão é uma praia que não tem ondas o ano todo, pois depende das condições de direção do swell, vento e fundo, porém quando tudo isso combina-se, as condições são as melhores possíveis, as ondas são mais longas o que proporciona uma maior possibilidade de manobras “, explica o surfista de 45 anos, que não perdeu a rotina, e ainda surfa aos finais de semana, de pranchinha e SUP.

Gustavo, Jonas e Raimundo Trajano posando para foto depois de uma sessão de surf no Curvão.

Mas nesse dia, em  temporada de ondas, os surfistas ja esperavam boas ondas, e em vez do lado brabo do mar, com uma câmera a prova d’água emprestada, ele foram para o lado calmo, aproveitaram o pouco crowd e registaram a sessão irada de surf que vocês irão ver nessas fotos.

 

 

Câmera usada para registrar a sessão de surf. A prova d’água e precursora da Gopro

Não era fácil saber as condições do mar, sem os aplicativos e as redes sociais, os surfistas se baseavam pelo que podiam e com esse grupo não era diferente. “Observávamos a saída da fumaça da chaminé da fábrica de tijolos no outro lado do rio, se a fumaça estivesse saindo em pé, significava pouco vento, o que indicava que o mar estava liso e com paredes, mas se ela estivesse em direção a praia indicava vento terral, que deixa o mar clássico”, revela Jonas, hoje o surfista conta que uma das formas de saber sobre o vento são os aerogerados da usina eólica em Parnaiba(PI).

Jonas deslizando nas ondas do Curvão

O  frequentador do mar conta que a maioria dos amigos ainda surfa, e que as ondas não são mais as mesmas, mas que o surf e seus praticamente aumentaram bastante e o preconceito diminuiu. “A situação é completamente diferente,  na época tinha pouca informação do surf na TV,  vivíamos reféns das revistas mensais que traziam informações e que muitas vezes já eram passadas. Uma ida a praia no meio de semana seria duramente criticada, lembro de passar pelo centro para pegar ônibus para praia e todos me olharem com um olhar nada amistoso, para não usar outros advérbios”, comenta o surfista.

Depois de muito tempo observando mar, o surf piauiense e sua evolução, restam ainda essas lembranças, apenas reveladas, pois o compartilhamento por meio de rede social ainda não era realidade, mas com certeza, todos iriam curtir esse dia, tal como esses surfistas curtiram.