Após acidente, Ricardo Ruas se recupera e deixa lição

Após acidente de kitesurf, Ricardo Ruas mostra superação e planeja projeto social

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A caminhada até a Praia de Atalaia, em Luís Correia, com a intenção de velejar de kitesurf e desopilar, era comum para Ricardo Ruas. O esporte fazia de seu dia-a-dia menos burocrático, já que antes de ir à faculdade, pegava seu kite e curtia o vento e o mar. No entanto, na segunda-feira do dia 7 de março deste ano, o kitesurfista foi atingido por uma rajada de vento, que imediatamente provocou uma lesão em seu pescoço, perdendo naquele momento os movimentos em seus membros.

Acontece que, por uma obra da natureza, da qual todos os velejadores correm risco iminente, no meio do percurso da realização da manobra F-16, a pipa entrou em uma janela de rajada de vento, o que me fez perder o controle por conta da pressão e consequentemente resultou em uma queda. A única coisa que eu tinha consciência na hora do acidente era em pedir ajuda, porque eu não tinha os movimentos dos braços e pernas e estava me afogando no raso por conta das ondas.”, declarou Ricardo.

A história de Ricardo no kitesurf se confunde com sua vida em Luís Correia. Assim que se mudou para a cidade litorânea, em outubro de 2014, Ricardo começou a praticar kite no final do mês seguinte. O começo foi difícil, já que pouco conhecia a cidade e os seus velejadores. Após uma evolução na prática, o atleta começou a se identificar com a categoria freestyle. “Comecei a andar de kite, porque sempre fui apaixonado por esportes radicais, começando com wake, depois motocross, tiro prático e depois kitesurf”, explicou Ricardo.

Ricardo Ruas

No entanto, no dia 7 de março, o atleta caiu de costas para o mar e pela pequena profundidade, além da velocidade em que se encontrava, a lesão no pescoço foi agravada. Ricardo perdeu imediatamente os movimentos do corpo, já não sentindo nem os braços e nem as pernas. Seu amigo Henrique, que lhe acompanhava naquele dia, conseguiu ajudar a tempo, antes que Ricardo se afogasse no local. Outros amigos que passeavam pela praia, tais como Maicon, Vinvim e Railson, que estava velejando, prestaram socorro e o levaram Ricardo ao hospital.

Os médicos diagnosticaram uma fratura no pescoço, que resultou em uma lesão no nervo e na medula. “A alma só voltou ao corpo quando eu estava com minha mulher no hospital de Parnaíba e que foi quando a consciência voltou, que eu pude distinguir o que estava acontecendo. Foi constatado que tive uma fratura nas vértebras, mas sem especificações sobre os locais”, explicou. Ele foi transferido para o Hospital de Urgência de Teresina e posteriormente para o Hospital Getúlio Vargas, onde esperaria para ser operado.

Foram 16 dias esperando para entrar em cirurgia de Artrodese Cervical e constataram duas fraturas no pescoço, sendo nas vértebras C3 e C4. Ricardo foi operado no dia 23 de março e quatro dias depois, começou a realizar os primeiros movimentos, quebrando as expectativas dos médicos e comentários de que estava tetraplégico e paraplégico. Ainda no hospital, a família registrou em filmagens os resultados após a operação.

Até o momento, eu não havia sequer levantado para sentar na cama, o que chocou muita gente, fato que devo imaginar, mas para o momento, representava um sinal de vida em minha e um sinal e esperança na vida de todos que acompanharam a dramaturgia de perto e principalmente dos familiares e esposa”.

Ricardo Ruas

Quase quatro meses após o ocorrido, Ricardo segue se recuperando e com o cotidiano de volta, como caminhar, levantar, comer, tomar banho, dirigir e, principalmente, de volta com suas atividades físicas. Ele segue em fisioterapia, com o objetivo de aperfeiçoar o lado esquerdo do corpo, aguardando a medula desinchar. Mesmo com uma boa evolução em seu estado após a cirurgia, Ricardo ainda pegou uma pneumonia, em que acabou perdendo 18 kg.

Com cuidados e sem pressa, ele ainda planeja voltar aos esportes radicais, como o wakeboard. À pedido da família, ele decidiu não voltar à prática de kitesurf, ainda se recuperando do ocorrido. “Eu penso em voltar, mas a pedidos do meu pai, irmão e esposa, eu não vou mais praticar kite. Ficarei só na prática do wake mesmo. Sobre a vida, eu penso que foi uma oportunidade de colocar, no futuro bem próximo alguns projetos que tenho em mente, tal como o projeto idealizado pela minha esposa, o Criança Todo Dia, que ajudava crianças em uma creche do bairro Mendonça Clark, na cidade Parnaíba”, contou Ricardo.

Mesmo com a situação e o abandono da rotina com o esporte de pipa e prancha, Ricardo aprendeu a valorizar mais as coisas que acontecem ao seu redor e desburocratizou muitas tarefas, que o prendiam pelo medo de pôr em prática. Atualmente ele segue em seu tratamento fisioterápico, agora na cidade de Fortaleza (CE), na busca por clínicas especializadas em tratar o trauma pelo qual passou.

Ricardo Ruas